Até alguns anos atrás, a circunferência abdominal aumentada, a chamada barriginha, era apenas uma questão de estética. Estudos de risco cardiovascular passaram a apontar a circunferência abdominal como algo além da beleza. A medida da circunferência abdominal aumentada é um fator de risco para infarto, AVC, pressão alta e diabetes tão importante como a falta de atividades físicas, aumento do colesterol e triglicérides.
Para diminuir a chance de sofrer um infarto, não basta brigar com a balança, isto é, perder peso. É preciso perder alguns centímetros da circunferência abdominal.
Veja na tabela abaixo a distribuição na população e como a circunferência abdominal aumentada acentua a sua chance de problemas cardíacos
Mas o que tem a ver "uma certa gordura" empurrando o umbigo e o nosso coração? Primeiro, é um achado estatístico de pesquisas em populações mundiais, com reprodução dos resultados em praticamente todas as raças, ambientes e hábitos.
Algumas pesquisas apontam a relação da cintura aumentada com um certo grau de inflamação nas artérias, que é mantido ou acelerado, por substâncias produzidas em grandes quantidades na gordura que fica entre as vísceras, na cavidade abdominal. São chamadas, algumas delas, de interleucinas, e são muito importantes em nossas atividades de defesa contra infecções e tumores. Essas substâncias circulam pelo sangue e podem atuar em todos os tecidos do corpo humano.
Nas artérias, que levam o sangue para os órgãos, como cérebro e coração, seu nível alto acelera o processo de envelhecimento do vaso e acentua os efeitos do colesterol como provocador de infarto. Uma das formas de medir essa inflamação no sangue é dosar a proteína C-Reativa (PCR). Sabe-se que a circunferência abdominal aumentada está relacionada a maiores níveis de PCR, e maiores níveis de PCR aumentam a chance de infarto.
Uma das maneiras mais eficientes de diminuir a circunferência abdominal é através da dieta e do exercício. Consulte seu médico, peça para ele medir sua circunferência abdominal e inicie já a redução!

Dr. José Roberto Matos Souza
Cardiologista da UNICAMP e da Clínica LOEMA - Medicina e Bem-Estar.
Pesquisador do LIMED - Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes da UNICAMP.
Atualizado em 31/05/2009
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