
A tecnologia para a monitorização do diabetes vem percorrendo um longo caminho, desde a descoberta da insulina, em 1922. Daquele tempo até os dias atuais, ocorreram avanços e descobertas científicas em prol do tratamento do paciente. Segundo o Dr. Walter Minicucci, membro da diretoria da SBD, os testes para verificação do controle glicêmico, podem ser marcados por três eras: a da medida da glicosúria, a do uso do glicosímetro e, a mais nova: a da monitorizaçao glicêmica de tempo Real (CGM).
Segundo o especialista, até 1978, eram utilizadas as tiras de glicosúria para aferir a glicose na urina. A segunda era, a dos glicosímetros, é caracterizada pelo monitoramento da glicemia capilar, que, por ser uma metodologia invasiva e, de certa forma, dolorosa, teve como limitação primordial a adesão dos pacientes, além do custo das tiras.
A utilização do glicosímetro tradicional apresenta outras dificuldades como a verificação da glicemia isoladamente, detectando um ponto por vez, sem apontar para onde os níveis estão indo - se vai ocorrer uma hipo ou hiperglicemia. Todos os pacientes com DM1, e muitos dos DM2, necessitam desse controle diariamente, entretanto, os testes ainda são pouco frequentes, o que gera uma visão inadequada do quadro clínico. Além disso, apesar de hoje em dia todos os glicosímetros possibilitarem o "download das medidas de glicemia", a maioria dos pacientes acaba não recebendo um feedback de seus médicos.
Buscando melhorar o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes, desde 2006, estão sendo utilizados os sensores de glicose, que são minimamente invasivos e baseiam na medida da glicose intersticial, como o CGMS.
O CGMS, o primeiro destes equipamentos a ser considerado monitor de glicose minimamente invasivo, também foi o primeiro a ser produzido e mede a glicose do fluido intersticial, sendo comparável à glicemia. Fica conectado ao corpo do paciente e mede a glicose a cada 10 segundos, o que significa uma medida a cada 5 minutos. O total é de 288 medidas por dia, durante três dias. Depois desse período é feito o download para um computador, através de uma equipamento chamado ComStation.
Desta forma, o CGMS é capaz de mostrar o quadro completo das glicemias e redefinir a abordagem clínica na busca da melhora do controle e, consequentemente, da saúde e da qualidade de vida dos pacientes. O CGMS, que é um equipamento de uso médico, como o Holter e o MAPA, sendo composto por um sensor, seu aplicador, o monitor, uma estação de transmissão das informações e um software para instalação no micro receptor dos dados.
Dentre as principais razões para a utilização do CGMS estão: a possibilidade de detectar e reduzir o risco de eventos hipoglicêmicos e hiperglicêmicos e a melhora dos esquemas de insulinização intensiva.
Assim como as bombas de insulina, que vêm diminuindo de tamanho e crescendo em tecnologia e sofisticação, os novos equipamentos de medida contínua de glicose passam a ser de uso doméstico, mostrando na sua tela os valores de glicose; setas de tendências dos valores de glicose; alertas de hipo e hiperglicemia; e estão invadindo o mundo com vários concorrentes, lançando ou preparando-se para lançar equipamentos com estas características.
Estes novos equipamentos, que monitorizam a glicemia em tempo real e continuadamente, estão cada vez mais precisos e mais sofisticados e todos tem características semelhantes. O Dr. Walter Minicucci que participa, anualmente, de um evento mundial chamado ATTD - International Conference on Advanced Tecnologies & Treatmente for Diabetes - onde são apresentadas as tecnologias de ponta em equipamentos para o tratamento do diabetes, afirma que muitas novidades ainda estão por vir. Ele relata que os sensores de tempo real são os grandes avanços tecnológicos, por permitirem uma visão do que acontece a cada momento, das tendências glicêmicas, dos valores da madrugada com seus alertas para as oscilações previamente desconhecidas permitindo melhor controle tanto nos pacientes bem como naqueles mal controlados.
BARREIRAS
De acordo com o Dr. Minicucci, muito do entendimento dos endocrinologistas a respeito do diabetes e seu controle efetivo, foi obtido nos últimos anos, através das novas tecnologias de monitoramento e do uso de bombas de insulina.
Para ele, uma das grandes barreiras relacionadas às novidades das tecnologias em saúde está relacionada ao medo que muitos médicos têm de "perder o terreno", ou seja, deixar de ter o controle da doença em suas mãos. Contudo, o que se vê a cada nova descoberta são possibilidades de ampliar a autonomia do paciente, que é fundamental para o sucesso do tratamento, já que o médico não tem como acompanhá-lo todos os dias.
Quando se fala na Tecnologia em Saúde, o maior desafio é vencer os obstáculos das estruturas organizacionais em relação às inovações tecnológicas. Essas novidades são respaldadas pela síntese de evidências científicas disponíveis e a avaliação de suas implicações na utilização da tecnologia. Além disso, são consideradas inovadoras as idéias mais práticas do que teóricas. Contudo, apesar do constante progresso da ciência, ainda há muitos desafios a serem superados que envolvem tanto aspectos tecnológicos, como aqueles que implicam em mudanças de atitude e de paradigmas
PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS -
Equipamentos que prometiam maior facilidade por não serem invasivos, e que tinham a forma de relógios como o Glucowatch G2® - que foi comercializado por alguns anos - e o Pendra, que não chegou a ser comercializado, acabaram sendo retirados do mercado, por serem muito sujeitos às variações de temperatura e dispararem alertas de hipoglicemia quando o pacientes transpirava. Também ocasionavam, muitas vezes, alergias de pele no local de contacto dos sensores.
• Mobile Phones - equipamentos que integram o glicosímetro e o celular. Um servidor processa as informações recebidas, leva em consideração o banco de dados de alimentos, dados da prescrição ativa e do seguimento informado pelo paciente.
No Brasil existem dois sistemas tecnologicamente avançados. Um da companhia Yara, que é um pequeno equipamento, do tamanho de uma bomba de insulina, que conectado a um glicosímetro, transmite os dados de glicemia obtidos para centrais de gerenciamento a distancia. O outro é o Glic-on-line®, que é um sistema de software e de administração de dados, que utilizando telefones celulares, permite realizar a contagem de carboidratos na dieta, além de sugerir a dose de insulina dos pacientes que estão realizando insulinização intensiva. O equipamento leva em conta, também, as proteínas da dieta, a insulina residual nos cálculos realizados e armazena os dados, para acesso do médico cuidador, no site da empresa.
• In-Car Glucose Sensing - sensor usado no carro. Grava os últimos níveis de glicose enquanto o paciente está dirigindo; avisa sobre hipoglicemia antes que atinja níveis perigosos;.
Atualizado em 06/10/2009
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