O Diabetes e as tecnologias de monitorização

O Diabetes e as tecnologias de monitorização

Segundo o especialista, até 1978, eram utilizadas as tiras de glicosúria para aferir a glicose na urina. A segun­da era, a dos glicosímetros, é caracteri­zada pelo monitoramento da glicemia capilar, que, por ser uma metodologia invasiva e, de certa forma, dolorosa, teve como limitação primordial a adesão dos pacientes, além do custo das tiras.

A utilização do glicosímetro tradicio­nal apresenta outras dificuldades como a verificação da glicemia isoladamen­te, detectando um ponto por vez, sem apontar para onde os níveis estão indo – se vai ocorrer uma hipo ou hipergli­cemia. Todos os pacientes com DM1, e muitos dos DM2, necessitam desse con­trole diariamente, entretanto, os testes ainda são pouco frequentes, o que gera uma visão inadequada do quadro clíni­co. Além disso, apesar de hoje em dia todos os glicosímetros possibilitarem o “download das medidas de glicemia”, a maioria dos pacientes acaba não rece­bendo um feedback de seus médicos.

Buscando melhorar o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes, desde 2006, estão sendo utilizados os sensores de glicose, que são minimamente invasi­vos e baseiam na medida da glicose in­tersticial, como o CGMS.

CGMS, O PRIMEIRO

O CGMS, o primei­ro destes equipamentos a ser conside­rado monitor de glicose minimamente invasivo, também foi o primeiro a ser produzido e mede a glicose do fluido in­tersticial, sendo comparável à glicemia. Fica conectado ao corpo do paciente e mede a glicose a cada 10 segundos, o que significa uma medida a cada 5 mi­nutos. O total é de 288 medidas por dia, durante três dias. Depois desse período é feito o download para um computa­dor, através de uma equipamento cha­mado ComStation.

Desta forma, o CGMS é capaz de mos­trar o quadro completo das glicemias e redefinir a abordagem clínica na busca da melhora do controle e, consequente­mente, da saúde e da qualidade de vida dos pacientes. O CGMS, que é um equi­pamento de uso médico, como o Hol­ter e o MAPA, sendo composto por um sensor, seu aplicador, o monitor, uma estação de transmissão das informações e um software para instalação no micro receptor dos dados.

Dentre as principais razões para a uti­lização do CGMS estão: a possibilidade de detectar e reduzir o risco de even­tos hipoglicêmicos e hiperglicêmicos e a melhora dos esquemas de insuliniza­ção intensiva.

Assim como as bombas de insulina, que vêm diminuindo de tamanho e cres­cendo em tecnologia e sofisticação, os novos equipamentos de medida contí­nua de glicose passam a ser de uso do­méstico, mostrando na sua tela os valo­res de glicose; setas de tendências dos valores de glicose; alertas de hipo e hi­perglicemia; e estão invadindo o mundo com vários concorrentes, lançando ou preparando-se para lançar equipamen­tos com estas características.

Estes novos equipamentos, que moni­torizam a glicemia em tempo real e con­tinuadamente, estão cada vez mais precisos e mais sofisticados e todos tem caracterís­ticas semelhantes. O Dr. Walter Minicucci que partici­pa, anualmente, de um evento mun­dial chamado ATTD – International Conference on Advanced Tecnologies & Treatmente for Diabetes – onde são apresentadas as tecnologias de ponta em equipamentos para o tratamento do diabetes, afirma que muitas novida­des ainda estão por vir. Ele relata que os sensores de tempo real são os grandes avanços tecnológicos, por permitirem uma visão do que acontece a cada mo­mento, das tendências glicêmicas, dos valores da madrugada com seus alertas para as oscilações previamente desco­nhecidas permitindo melhor controle tanto nos pacientes bem como naqueles mal controlados.

BARREIRAS

diabetes-tecnologiaDe acordo com o Dr. Mini­cucci, muito do entendimento dos en­docrinologistas a respeito do diabetes e seu controle efetivo, foi obtido nos últi­mos anos, através das novas tecnologias de monitoramento e do uso de bombas de insulina.

Para ele, uma das grandes barreiras re­lacionadas às novidades das tecnologias em saúde está relacionada ao medo que muitos médicos têm de “perder o terre­no”, ou seja, deixar de ter o controle da doença em suas mãos. Contudo, o que se vê a cada nova descoberta são possibilida­des de ampliar a autonomia do paciente, que é fundamental para o sucesso do tra­tamento, já que o médico não tem como acompanhá-lo todos os dias.

Quando se fala na Tecnologia em Saú­de, o maior desafio é vencer os obstá­culos das estruturas organizacionais em relação às inovações tecnológicas. Essas novidades são respaldadas pela síntese de evidências científicas disponíveis e a avaliação de suas implicações na utiliza­ção da tecnologia. Além disso, são con­sideradas inovadoras as idéias mais práti­cas do que teóricas. Contudo, apesar do constante progresso da ciência, ainda há muitos desafios a serem superados que envolvem tanto aspectos tecnológicos, como aqueles que implicam em mudan­ças de atitude e de paradigmas

PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS –

Equipa­mentos que prometiam maior facilidade por não serem invasivos, e que tinham a forma de relógios como o Glucowatch G2® – que foi comercializado por alguns anos – e o Pendra, que não chegou a ser comercializado, acabaram sendo retira­dos do mercado, por serem muito sujei­tos às variações de temperatura e dispa­rarem alertas de hipoglicemia quando o pacientes transpirava. Também ocasio­navam, muitas vezes, alergias de pele no local de contacto dos sensores.

PROMESSAS EM FASE DE TESTE OU PARA USO COMERCIAIS

• Mobile Phones – equipamentos que integram o glicosímetro e o celular. Um servidor processa as informações rece­bidas, leva em consideração o banco de dados de alimentos, dados da prescrição ativa e do seguimento informado pelo paciente.

No Brasil existem dois sistemas tec­nologicamente avançados. Um da com­panhia Yara, que é um pequeno equi­pamento, do tamanho de uma bomba de insulina, que conectado a um glico­símetro, transmite os dados de glicemia obtidos para centrais de gerenciamento a distancia. O outro é o Glic-on-line®, que é um sistema de software e de ad­ministração de dados, que utilizando telefones celulares, permite realizar a contagem de carboidratos na dieta, além de sugerir a dose de insulina dos pacientes que estão realizando insulini­zação intensiva. O equipamento leva em conta, também, as proteínas da dieta, a insulina residual nos cálculos realizados e armazena os dados, para acesso do mé­dico cuidador, no site da empresa.

• In-Car Glucose Sensing – sensor usa­do no carro. Grava os últimos níveis de glicose enquanto o paciente está dirigin­do; avisa sobre hipoglicemia antes que atinja níveis perigosos;.

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